Thursday, February 22, 2007

Currículo

Currículo Resumido
Socorro Acioli


Formação:
Jornalista, graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará, 2002.
Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Ceará, 2004. Dissertação: "De Emília a Dona Quixotinha: uma aula de leitura com Monteiro Lobato.Dissertação aprovada com louvor

Formação complementar:

Selecionada pra o programa de Bolsas de Pesquisa da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique, Alemanha. 2006/2007. www.ijb.de .

Aluna da oficina de criação "Como contar un cuento", ministrada pelo Prêmio Nobel Gabriel García Márquez. Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, Cuba. 04 a 08 de Dezembro de 2006. .

Prêmios recebidos na área de literatura:

Seleção para o Catálogo de Bolonha, Itália - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ, com os livros "É pra ler ou pra comer?" e "A casa dos Benjamins". 2006 .

Selo Altamente Recomendável concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ / International Board Books for Young People para os livros "É pra ler ou pra comer?" e "A casa dos Benjamins". 2006 .

Finalista do Prêmio João de Barro de Literatura Juvenil com a obra "O anjo do lago", Fundação Cultural da Cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.2006 .

Prêmio de Melhor Obra Inédita de Literatura Infantil -" É pra ler ou pra comer?", Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. 2004 .

LIVROS PUBLICADOS

Frei Tito – Coleção Terra Bárbara. 2001. Edições Demócrito Rocha. Fortaleza

Rachel de Queiroz – Coleção Terra Bárbara. 2003. Edições Demócrito Rocha. Fortaleza

Bia que tanto lia. 2004. Edições Demócrito Rocha. Fortaleza

É pra ler ou pra comer? A história da Padaria Espiritual do Ceará para Crianças. 2005. Edições Demócrito Rocha. Fortaleza

A casa dos Benjamins. 2005. Editora Siciliano . São Paulo

O peixinho de pedra. 2006. Edições Demócrito Rocha. Fortaleza

O anjo do lago
. 2006. Editora Biruta. São Paulo


* Alguns dos livros acima têm sido adotados, desde 2004 em escolas particulares de Fortaleza e comprados pela Rede Estadual e Municipal de ensino.

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Tuesday, October 10, 2006

Lançamento O ANJO DO LAGO

Lançamento do Anjo do Lago em Fortaleza!
Dia 12 de outubro, às 17 horas, no Centro Dragão do Mar.
Com cinema, teatro, planetário, tudo liberado para as crianças.
Um grande abraço!
Socorro Acioli
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Confissões de (um anjo) adolescente

Miguel Leocádio Araújo e Daniele Barbosa Bezerra

Quem diz que os anjos não têm idade ficará contrariado e surpreso com Ângela e outros anjos, personagens do mais recente livro de Socorro Acióli destinado ao público juvenil, O anjo do lago (2006), na primorosa edição da Editora Biruta, de São Paulo, com ilustrações de Mariana Zanetti, nas quais o azul celeste, o verde água e o misterioso branco predominam.
Trata-se de uma poética e misteriosa história em torno das descobertas da protagonista, um doce anjo-menina-adolescente de 14 anos, que narra em primeira pessoa (quase como confissão num diário íntimo), sua experiência em desvelar os mistérios envolvidos na sua primeira missão: proteger o Lago dos Segredos, mote para a idéia de desvendamento que perpassa todo o livro e só se resolve inventivamente nas páginas finais, deixando curioso o leitor, à espera da resolução e do entendimento das razões que levam o sereno anjo protetor a realizar a tarefa de cuidar de um lago, quando a tradição reza que os anjos da guarda, pelo menos eles, protegem pessoas.
Essa é apenas uma das surpresas reservadas pela narrativa de Socorro Acióli aos leitores habituados a histórias com personagens celestiais de tão alta estirpe, quer estejam elas nos livros, nos filmes (Win Wenders foi um dos cineastas que contou histórias com personagens anjos) ou em outras manifestações culturais, cujo leitmotiv circule em torno do que se passa em planos outros que não o da vida empírica, concreta, prática, cotidiana.
Aliás a aproximação com o cotidiano é uma das virtudes de O anjo do lago. Os personagens, as ambiências e os objetos do dia-a-dia dos anjos são quase os mesmos que o leitor conhece. Ângela tem pais e passa a ter, no decorrer da trama, um "amigo" que pode vir a se tornar um algo mais... Sim, porque nesta história os anjos podem amar, já que são seres fadados ao amor àqueles ou àquilo que protegem. Neste sentido, o livro pode agradar aos jovens leitores em vias de descobrir o amor, a paixão...
Mas não só. Cada personagem-anjo guarda sua própria idiossincrasia. Por exemplo: o Sr. Bartolomeu é sério e sábio; a Sra. Berta é alegre e excêntrica, inclusive no vestir; o jovem anjo Tiago é belo e talentoso artista. A exposição das qualidades de cada um torna-se ainda mais cabível num universo em que esses seres etéreos escovam os dentes, limpam e organizam o espaço em que vivem, trabalham em instituições como o Departamento de Trabalhos e Missões ou o Departamento do Destino, espécies de repartições de utilidade pública, administradoras dos serviços prestados pelos anjos que descem à Terra para cumprir suas tarefas. São anjos que até mesmo lêem livros, inclusive a protagonista. Ela leva para sua primeira missão dezenas de livros que, no início de sua tarefa de proteger um lago cheio de segredos, servirão de fonte de prazer, de aprendizado e de alimento à sua imaginação adolescente.
Esta dimensão da leitura se envolverá com a escrita, pois Ângela também escreve. Inicialmente um diário, depois... só Deus sabe o que escreverá, mas o fará bem, pois esse é o desvendamento de um dos segredos que a vivência na pequena ilha no meio do lago lhe proporcionará.
A temática da leitura na obra infanto-juvenil de Socorro Acióli não é inédita. Desde Bia que tanto lia (Edições Demócrito Rocha, 2004), a escritora tem explorado os encantamentos do mundo da leitura, sobretudo no que diz respeito às personagens-crianças. O que diferencia este novo livro dos anteriores – É pra ler ou pra comer: A história da Padaria Espiritual para crianças (Edições Demócrito Rocha, 2005), A casa dos benjamins (São Paulo, Editora Caramelo, 2005), O peixinho de pedra (Edições Demócrito Rocha, 2006) – é que a temática abordada se desloca do universo da cultura e da história cearenses para dar lugar a um vôo bem mais livre em relação aos compromissos com o real empírico, no que concerne à adesão ao contexto histórico e aos costumes de um povo. Dessa forma, a escritora oferece um tipo de narrativa que indicia suas habilidades em criar uma história que abre espaço para o inusitado da representação do possível, desobedecendo a rigidez dos desígnios miméticos da prosa de ficção que muitos insistem em preconizar. Mesmo guardando certos elos com o real, até para poder angariar a cumplicidade dos leitores às situações vividas por Ângela, em O anjo do lago, a opção narrativa (e, neste caso, imaginativa) pelo universo etéreo dos anjos parece nos querer dizer que sobrevoar a história de Ângela é viajar nas asas da imaginação, dos segredos e dos desejos.

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Miguel Leocádio Araújo é professor universitário e mestre em Literatura Brasileira (UFC). Daniele Barbosa Bezerra é professora universitária, mestre em Literatura Brasileira (UFC) e pesquisadora de literatura infanto-juvenil.

Thursday, August 10, 2006

O anjo do lago


O anjo do lago
Ilustrações: Mariana Zanneti
64 páginas
Preço:R$ 27,00
Editora Biruta
São Paulo
2006
RELEASE
O livro O Anjo do Lago, da escritora Socorro Acioli, conta a história de uma menina de quatorze anos, que começa a pensar na vida profissional a seguir e está se preparando para assumir a sua primeira experiência de trabalho. Tudo seria muito natural se Ângela, a personagem, fosse uma garota como todas as outras. Mas não é, Ângela é um anjo prestes a iniciar a sua primeira missão na Terra.
A decisão de Ângela é auxiliada por anjos mais experientes, a partir da leitura do Classificado dos Anjos. Seu local de trablho é um lago, onde é designada para salvar afogados, mas não é exatamente isso que acontece com ela. A missão de Ângela nos ensina que o mundo dos livros é cheio de mágica e encanto e que a leitura é muito mais repleta de mistérios do que nós, humanos, podemos imaginar.
Por que será que O Anjo do Lago está aí com você? Por que você gostou do título, da capa, das ilustrações coloridas? Por que ficou com a maior curiosidade para saber o que acontece nesse lago? Será que alguém deixou o livro cair bem de propósito nas suas mãos? Pode ser. Dizem que nenhum livro do mundo chega por acaso nas mãos da gente. Então, quem é que faz um livro chegar até os leitores que precisam sonhar e viver com muita alegria? Bem, este é o segredo do lago que você só vai descobrir lendo este livro, é claro.
O Anjo do lago é o sétimo livro de Socorro Acioli. Neste trabalho, a autora apresenta um estilo que difere dos outros livros infantis já publicados, segundo ela mesma, com forte influência de Gabriel García Márquez .

Tuesday, August 01, 2006

O peixinho de pedra



O peixinho de pedra
Lançamento em Agosto de 2006
Edições Demócrito Rocha
Ilustrações de Ronaldo Almeida

Frei Tito


Biografia de Frei Tito de Alencar Lima.
Edições Demócrito Rocha, 2001.
Este livro é tão importante que tem
um blog só pra ele

Rachel de Queiroz - biografia


Rachel de Queiroz
Biografia de escritora cearense Rachel de Queiroz.
Edições Demócrito Rocha, 2003

A casa dos Benjamins

A casa dos Benjamins
Ilustrações de Daniel Diaz
Editora Caramelo
40 páginas
2005

Selecionado para o Catálogo de Bolonha, 2006
Láurea Altamente Recomendável - Fundação Nacional do Livro Infantil
e Juvenil - 2006


Matéria no Jornal O Povo, escrita por Eleuda de Carvalho, por ocasião do lançamento do livro.


Na casa de Rachelzinha

A escritora Socorro Acioli lança amanhã, na livraria Siciliano do Iguatemi, seu novo livro dedicado ao público infantil. A Casa dos Benjamins (Caramelo) conta o encontro fantástico da menina Flora com a escritora Rachel de Queiroz, na casa em que ela viveu parte da juventude e onde escreveu seu primeiro romance, O Quinze. O livro é ilustrado por Daniel Diaz e traz detalhes da casa, que ainda existe, lá para os lados da ParangabaEleuda de Carvalhoda Redação
A CASA rodeada de benjamins, no sítio do Pici, foi morada temporária da escritora Rachael de Queiroz menina
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Era uma vez uma história de mentirinha baseada em fatos reais. E com pessoas que existem de verdade. Socorro Acioli junta, no seu novo livro, A Casa dos Benjamins, um punhado das suas paixões: literatura, crianças, Rachel de Queiroz. Tudo bem ilustradinho com desenhos do Daniel Diaz e detalhes da velha casa de Rachel - tem até as folhinhas das árvores centenárias que dão nome ao livro. Tudo começa com um bocadinho de medo, como numa boa história de aventura. A menina Flora ficava curiosa e também assombrada com aquela casa amarela, com seus quatro pés de benjamim logo na entrada. Diziam que a casa tinha mistérios, que uma vez foram derrubá-la mas os benjamins, balançando galhos, sacudindo as folhas, impediram a demolição. Flora queria tanto entrar lá, tirar este mistério a limpo... Um dia, a menina tomou coragem. Junto do irmão Raul foi até lá. Quando a porta se abriu, uma senhora muito simpática lhe deu a mão, disse que já estava esperando sua visita. A Flora, ao invés de correr de medo, ficou fascinada com aquela velhinha tão simpática e tão sabida. Entrou na casa e, imediatamente, foi transportada para um outro tempo. O calçamento defronte havia sumido, e os benjamins ainda eram arvorezinhas criança. No fundo do quintal, bem grandão, tinha até um açude. E havia um pomar, cheio de frutas muito gostosas. Num dos quartos da casa, uma mocinha tossia e escrevia muito concentrada, deitadinha de barriga no chão de tijolos. Foi aí que a Flora começou a entender tudo. Ela havia voltado no tempo, e pode ver Rachel de Queiroz, aos 18 anos, escrevendo seu primeiro romance. Socorro Acioli, que é editora das Edições Demócrito Rocha, também começou a escrever muito novinha, ainda antes do que Rachel de Queiroz: ela publicou seu primeiro livro aos oito anos de idade. E não parou mais. Fez faculdade, casou, teve os filhos, mas aquela menina escritora continuou vivinha no coração e na mente dela. É por isso que Socorro escreve de maneira tão gostosa, e sobre temas tão sérios - como a Padaria Espiritual, por exemplo - sem perder o encanto que seduz leitores de todas as idades. Especialmente, o leitor infanto-juvenil. Nesta conversa por e-mail, Socorro fala do livro, de como conheceu a casa do Pici, de sua amizade com Rachel de Queiroz, e diz porque é escritora. O lançamento de A Casa dos Benjamins será neste sábado, na livraria Siciliano do Iguatemi, numa tarde cheia de muitas histórias.
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O POVO - O que acho muito legal no jeito de você escrever para os jovens leitores é uma maturidade na medida. Assim como fazia o querido Monteiro Lobato, para quem livro para criança não quer dizer livro bobinho. Você leva a literatura a sério, mas com muita graça. (Bem, não é muito uma pergunta, mas é...).
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Socorro Acioli - Que bom que você está me dizendo isso, porque a maior preocupação no meu trabalho como escritora infanto-juvenil é com a linguagem. Primeiro, vem o tema sobre o qual vou escrever. Isso vem pela intuição, é a parte inicial do processo. Depois começa um longo caminho em busca da linguagem perfeita. Eu não fico imaginando os leitores, não escrevo para uma "criança imaginária", muito menos tenho a pretensão de alcançar uma semelhança com a linguagem infantil. Eu não duvido da capacidade das crianças que lêem meus livros. Ao contrário, eu procuro elevar o nível da experiência leitora que elas têm, incluindo referências para futuras leituras. Sobre Monteiro Lobato, eu li a obra completa dele porque esse foi meu tema de pesquisa no mestrado. Mas minha maior influência para escrever para crianças tem sido Gabriel García-Marquez e sua narrativa para adultos. Ele consegue contar que um padre bebia chocolate quente e depois levitava; que todas as mulheres de uma cidade ficaram apaixonadas pelo cadáver de um homem que apareceu na praia e que uma bela jovem subiu ao céu voando com a ajuda de um lençol branco, sem deixar transparecer nenhuma dúvida de que aquilo realmente aconteceu. As crianças merecem que a sua imaginação seja respeitada da mesma forma, porque a coisa mais importante e saudável da infância é a imaginação. Se algum dia eu encontrasse o Gabriel García-Marquez na minha frente eu só diria uma única palavra: obrigada. Foi ele quem me ensinou o segredo de escrever para crianças, de respeitar a fantasia e encarar o fantástico como a coisa mais séria da vida. OP - No livro, você conta seu encontro com Rachel de Queiroz e também sua busca pela casa do Pici. Conta um pouquinho mais desta aventura. É verdade que você não conseguia achar a casa de jeito nenhum? Socorro Acioli - É verdade. Eu soube da existência do sítio do Pici ( que eu passei a chamar de A Casa dos Benjamins) em agosto de 2002, no Rio de Janeiro. Estava no apartamento da Rachel, no Leblon. Perguntei se a casa ainda existia e onde era exatamente que ficava. Ela me ensinou um endereço com referências de Fortaleza dos anos 30. Eu deveria pegar o trem, descer no Asilo, dobrar à direita e andar um pouco a pé. Logo, logo eu estaria na casa. Acontece que a casa não é tão perto assim do Asilo. Na primeira vez, segui as orientações dela e não encontrei nada. Na segunda, o porteiro do Asilo me disse que eu deveria perguntar ao sr. Odacir, dono do Bar Avião, na avenida João Pessoa. Aí sim, foi o sr.Odacir quem ensinou o caminho certo. Indo como a Rachel ensinou, eu precisaria andar um bocado, a casa fica depois da lagoa da Parangaba.
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OP - Usar imagens da casa e as folhinhas do benjamin foi uma idéia supimpa (eita, palavrinha velha, do tempo da Rachelzinha, mas as palavras, mesmo velhas, continuam a respirar). Conta como foi que nasceu a história d´A Casa dos Benjamins .
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Socorro Acioli - Nasceu da emoção. Quando o sr. Odacir me indicou o endereço correto eu finalmente encontrei a casa. Eu nunca vou esquecer do impacto que foi para mim dobrar na rua Antônio Ivo e ver, de repente, aquelas árvores enormes, os benjamins, no meio do calçamento, imponentes, sem pedir licença, donas do lugar. E até hoje, todas as vezes que eu vou lá, sinto a mesma emoção. Aquela casa guarda uma memória muito forte, muito importante para todos nós cearenses, brasileiros, leitores. Pois bem, no dia em que descobri, fiquei lá até de noite com minha madrinha Thelma, a quem eu dedico o livro, e com meu irmão, que não parou de subir nas árvores. Isso foi dia 21 de setembro de 2002. Quando cheguei em casa, liguei pra Rachel. Contei a descoberta e fiz muitas perguntas para ela, quis saber onde era a sua janela, confirmei o local do açude, do pomar. Ela estava naquele momento da vida em que as lembranças da infância estão mais vivas que as do presente. Foi ela quem contou como era a Casa dos Benjamins antigamente. Tudo que escrevi foi baseado nas informações da própria Rachel. Isso ficou em mim esse tempo todo. Eu tinha muita vontade de dividir essa história com outras pessoas. Queria guardar um pedacinho do passado da casa para sempre, já que só existe uma única foto antiga do lugar. Agora em 2005, encontrei uma forma para contar essa história. Por intermédio da agente literária Lúcia Riff, o texto chegou às mãos das editoras Vanessa Rodrigues e Janice Florido, da editora Siciliano que tem o selo infantil Caramelo. Elas receberam o arquivo numa sexta-feira. Na segunda-feira seguinte, mandaram o contrato. Furaram a programação da editora, que já estava fechada, para que o livro saísse ainda este ano, quando celebramos os 75 anos da publicação de O Quinze. A editora sugeriu o ilustrador Daniel Diaz, que havia trabalhando comigo no É pra ler ou pra comer? A história da Padaria Espiritual do Ceará para crianças, publicado pelas Edições Demócrito Rocha. Aceitei e adorei a indicação. Quando eu escrevi o texto, imaginei o livro pronto, do jeito que está. E o mais legal é que o Daniel aceitou a ilustrar o trabalho a partir da minha concepção inicial, aceitando as minhas sugestões. Incluir as folhinhas, os elementos reais da casa como o piso, as colunas, detalhes da porta é uma forma de fazer com que o leitor sinta-se lá dentro também. O trabalho do Daniel ficou lindíssimo. Fomos lá várias vezes. Os donos da casa já me conhecem há muito tempo, mas eu nunca conseguia entrar. Dessa vez eles permitiram e foi um momento lindo. Um dia de domingo, à tarde, sentei na mesa com a família da dona Vitória, dona da casa, e li uma crônica da Rachel contando como era a vida nos tempos em que tudo era um sítio. Há um momento do texto em que ela fala que nunca esqueceu do barulho das botas de seu pai, Daniel, andando no alpendre da casa. Foi quando toda a família da dona Vitória tomou um susto. Algumas pessoas da casa sempre ouviam justamente esse barulho de botas andando ao redor da sala. Passado o susto, continuei lendo a crônica e eles adoraram. É uma família muito simples, mas que cuida bem da casa, por causa deles tudo está preservado.
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OP - A menina que conta a história se chama Flora. Nenhum nome, de pessoa ou personagem, é à toa. Tanto é que, no finalzinho do livro, entendi porque a professora se chama Conceição.
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Socorro Acioli - Conheço uma menina chamada Flora que é um encanto, filha de dois amigos, a Rita e o Jorge Pieiro. Ela foi a inspiração para o nome da personagem pela delicadeza e sonoridade: Flor, flor, aflora... Tudo a ver com o clima de natureza e sonho do livro. O Raul, irmão dela, é o irmão da Flora na "vida real". Trocando as letras de Raul: luar. Não, nenhum nome é por acaso.
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OP - Como foi o lançamento no Rio de Janeiro, a receptividade?
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Socorro Acioli - O lançamento aconteceu no dia 17 de novembro, aniversário de 95 anos da Rachel, no VII Salão do Livro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, no Museu de Arte Moderna. A receptividade foi a melhor possível, tanto do público infantil e adulto quanto da imprensa. O fato de eu ser cearense só legitimou mais ainda o trabalho. Mas a maior felicidade que tive no Rio foi ouvir a opinião ge<\I>nerosa da Lygia Bojunga sobre A Casa dos Benjamins.
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OP - Rachel de Queiroz também tem livros voltados ao público infantil. Você, como leitora e escritora, o que acha deste ângulo da literatura de Rachelzinha?
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Socorro Acioli - Os livros infantis da Rachel de Queiroz (Cafute e Pena de Prata, Andira , O Menino Mágico) são publicados pela mesma editora, a Caramelo. A própria Rachel contava que são textos despretensiosos que ela escreveu para os netos. Gosto deles, são bem escritos e inteligentes. Porém, não foi o gênero em que ela teve mais destaque.
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OP - Que novo livro você está escrevendo? Como é que vêm as idéias pros seus livros?
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Socorro Acioli - Estou trabalhando em dois textos muito especiais. Mas uma borboleta muito minha amiga me pediu que eu nunca falasse dos meus textos que ainda não estão prontos. O que posso dizer é que são dois projetos que estão exigindo um grande esforço da minha parte e que serão publicados em 2006. Sobre como chegam as idéias para os livros? Pelos meus sentimentos. Tenho um pacto comigo mesma de só escrever sobre temas que passem pelo meu coração, pelo meu espírito. Não escrevo a partir de encomendas, seguindo formas ou para satisfazer projetos comerciais de editoras. Os temas chegam pela intuição. Vou tentar explicar melhor: publiquei meu primeiro livro aos oito anos de idade, portanto, desde cedo eu sei que tenho muita facilidade para escrever, o que podemos chamar de um dom. Mas sempre tive muita clareza de que isso não é uma vaidade nem uma satisfação pessoal, é um serviço. Rezo, todos os dias, para que eu nunca fique contaminada com a vaidade, tão comum entre os escritores que conhecemos. Ao contrário, quanto mais meu talento é reconhecido, mais eu sinto a responsabilidade de fazer com que esse dom seja útil às pessoas. Escrever é a minha profissão. Estou no mundo para servir e meu instrumento é a palavra. Para executar com competência essa missão, eu estudo muito, leio muito, fico atenta às críticas, fiz faculdade de jornalismo, mestrado em letras e estou partindo para um doutorado em lingüística, pois a intuição sem a técnica não funciona. Essa utilidade de que falo não é a de ensinar, mas sim de tocar o coração de quem lê. Se me perguntarem qual a mensagem ou a intenção dos meus livros, eu não posso dizer, não faço a menor idéia. Escrevo o que minha intuição manda, faço o melhor pelo texto e depois deixo as palavras livres como borboletas. Cada um sente a leitura de maneira diferente. É assim que os livros chegam e depois saem de mim. Procuro deixar o canal sempre aberto para Deus. Aprendi desde cedo que quando tenho uma intuição para escrever algo que vem, é porque precisa ser dito. Por que, pra quem, como? Isso eu nunca fico sabendo. Mas estou aqui .

Bia que tanto lia

É pra ler ou pra comer?



Lançado em maio de 2005, livro "É pra ler ou pra comer? - A história da Padaria Espiritual do Ceará para crianças" nasceu vencedor.
Antes de ser publicado, ganhou o Prêmio para Obra Inédita de Literatura Infantil da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.
Em 2006, foi o primeiro livro cearense selecionado para o Catálogo de Bolonha, na Bologna Children's Book Fair, o maior evento de literatura infanto juvenil do mundo.
Achou pouco? Pois em junho ainda recebeu a láurea LIVRO ALTAMENTE RECOMENDÁVEL pela Fundação Nacional do Livro Infanti e Juvenil.
Por isso tudo, a capa ficou cheia de selos e faixas indicando os prêmios recebidos. Mas o maior prêmio mesmo é saber que o livro está sendo adotado nas maiores escolas de Fortaleza: Farias Brito, Christus, Batista, Santa Cecília, Sete de Setembro. E eu vou toda feliz e contente encontrar os meus leitores e conhecer a produção que eles fazem a partir da leitura.
O livro conta a história de Rafael e seus irmão Rubens, Miguel e Consuelo. Rafael descobre um jornal velho na casa de sua madrinha, com o título curioso de O Pão.
Influenciado pela leitura da Reforma da Natureza, de Monteiro Lobato, ele fica intrigado e quer saber: esse jornal da madrinha é pra ler ou pra comer?
Antes de provar um pedacinho do papel, que só devia mesmo ter gosto de tinta, ele resolveu perguntar para a madrinha. Boa idéia. Foi assim que ele descobriu a história da Padaria Espiritual do Ceará, um movimento literário inteligente e bem humorado que sacudiu Fortaleza no final do século XIX. As ilustrações são do Daniel Diaz, que teve uma das imagens selecionadas para o Ilustra Brasil 2005.
Gostou? Quer comprar? Então fale comigo pelo email socorroacioli@gmail.com e encomende o seu livro autografado que eu envio para qualquer lugar do mundo.

Thursday, June 22, 2006

A casa dos meus leitores

Acabo de construir uma casa para os meus leitores. Aqui vocês podem conversar comigo, ver as fotos que eu faço com vocês, saber das novidades e lançamentos.
Entrem!